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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Lição 10: A perda dos bens terrenos

Lições Bíblicas CPAD
Jovens e Adultos

3º Trimestre de 2012

Título: Vencendo as aflições da vida — Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas
Comentarista: Eliezer de Lira e Silva

Lição 10: A perda dos bens terrenos
Data: 2 de Setembro de 2012

TEXTO ÁUREO

“Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR” (Jó 1.21).

VERDADE PRÁTICA

Ainda que percamos todos os nossos bens, continuaremos a desfrutar de nosso bem maior: Cristo Jesus nosso Senhor.

HINOS SUGERIDOS

456, 459, 477.

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Jó 1.1-22
As perdas na vida de Jó

Terça - Jó 1.13-15
Jó perde seu gado

Quarta - Jó 1.16
Jó perde seu rebanho

Quinta - Jó 1.17
Jó perde os camelos e funcionários

Sexta - Jó 1.18,19
Jó perde seus filhos

Sábado - Jó 42.10,12
Deus restaura a sorte de Jó

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 1.13-21.

13 - E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito,
14 - que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles;
15 - e eis que deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e eu somente escapei, para te trazer a nova.
16 - Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei, para te trazer a nova.
17 - Estando ainda este falando, veio outro e disse: Ordenando os caldeus três bandos, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e só eu escapei, para te trazer a nova.
18 - Estando ainda este falando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito,
19 - eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova.
20 - Então, Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou,
21 - e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR.

INTERAÇÃO

O materialismo é uma realidade na vida de muitos crentes que se deixaram levar pelas falácias da Teologia da Prosperidade e da Confissão Positiva. A mente e o coração, essencialmente, mergulhados numa perspectiva materialista de vida, não podem dar lugar a essência e a verdade do Evangelho de Cristo, que diz: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Tomar a cruz, através do sofrimento de Cristo, é o convite feito por Jesus a todos os discípulos que são dignos dEle (Mt 10.38).

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Descrever as perdas humanas de Jó.
Elencar as perdas de ordem material, afetiva e espiritual de Jó.
Conscientizar-se que mesmo nas perdas, podemos desfrutar do amor divino.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

“Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21). O texto áureo da presente lição apresenta uma afirmação existencial peremptória: o homem nasce sem bem material algum e morre sem levar quaisquer bens terrenos. Para concluir o tópico II pergunte aos alunos o que eles pensam acerca dessa assertiva de Jó. Ouça as respostas com atenção e coordene o tempo de fala para não gerar uma celeuma. Em seguida conclua o tópico afirmando que o importante na vida não é o que temos, mas o que somos para Deus (Mt 16.26; Mc 8.36,37).

COMENTÁRIO

introdução

Palavra Chave
Perda: Ato ou efeito de deixar de possuir ou de ter algo.

Num mundo materialista quase não há espaço para encarar a realidade das perdas humanas. Até mesmo alguns crentes parecem viver o mundo encantado das “vitórias e conquistas” a qualquer preço. Contudo, perder filhos, imóveis e dinheiro, por exemplo, são consequências naturais da vida, inclusive dos que seguem a Cristo. A grande questão é: Como devemos nos comportar diante de tais acontecimentos? Já dizia certo pastor: “A verdadeira fé não se mostra nas bênçãos que recebemos, mas na resignação ante a soberania divina, mesmo quando perdemos o que Ele nos deu”. Nessa lição, à luz da vida de Jó, estudaremos os princípios bíblicos para o crente lidar com as perdas no caminho da vida.

I. JÓ E A EXPERIÊNCIA DAS PERDAS HUMANAS

1. Seu gado e rebanho. A Bíblia descreve Jó como um homem íntegro e que cultivava uma vida de profundo temor a Deus (1.1). Era bom patrão, bom esposo e um pai sempre presente e preocupado com a vida espiritual e social dos filhos (1.5). Mas, de repente, num só dia, ele viu todo seu gado e rebanho esvair-se. Os mensageiros, um a um, vieram trazer-lhe as inesperadas e funestas notícias (1.14-16).

2. Seus servos. Além de bois, camelos e ovelhas, os servos de Jó também tiveram suas vidas ceifadas, como depreendemos dos versículos 15 a 17: “Aos moços feriram ao fio da espada”; “fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu”; “e aos moços feriram ao fio da espada”. Antes de findar o dia, a maioria dos funcionários de Jó havia sido dizimada.

3. Seus filhos. O mensageiro não havia ainda terminado de narrar os recentes sinistros a Jó, quando um outro apareceu com uma notícia ainda mais trágica: “Eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram” (v.19). Você pode imaginar, a essa altura dos acontecimentos, o que se passou pela mente e coração de Jó?

Num só dia fora privado dos bens, dos funcionários e dos filhos! Qual seria a sua reação? A de Jó foi rasgar o manto, rapar a cabeça e sofrer a angústia natural de um pai que acabara de perder todos os filhos; do patrão que ficara sem os funcionários e do homem rico reduzido à extrema pobreza. Mas, contrariando a reação da lógica humana, Jó, prostrado, adorou a Deus (1.20). Podemos sofrer e, até mesmo, viver as perdas da vida. Nisso, somos humanos. Mas devemos, a exemplo de Jó, reconhecer a grandeza e a soberania de Deus no processo da perda, ainda que soframos duramente com ela (1.21).

SINOPSE DO TÓPICO (I)

Jó passou pela experiência das perdas de todos os seus bens — gado, rebanho, funcionários e filhos — mas em tudo reconheceu a soberania e a grandeza de Deus.

II. A PERDA DOS BENS

1. De ordem material. Por intermédio de uma vida imediatista, alguns cristãos, em momentos de perdas significativas, têm dificuldades de confiar em Deus. Quando se perde bens materiais, seja por causa de uma administração deficiente, por roubo ou devido à traição de pessoas que pareciam amigas, parece que o chão se abre e tudo vem abaixo. Para lidar com tais questões não há receitas nem manuais. O que temos é a promessa viva e real de Jesus (Mt 6.33). Acalme seu coração! E, em Cristo, recomece com fé e coragem!

2. De ordem afetiva. Ser preterido no namoro, ou no noivado, é um processo angustiante. Perder os pais, por mais que seja algo esperado, não deixa de ser doloroso para o ser humano. Sepultar o cônjuge é dilacerante para a alma. Enfrentar a separação no casamento, principalmente por adultério, é como sofrer a amputação de um membro do corpo. A dor finca suas estacas no âmago do nosso ser, traumatizando-nos violentamente (Sl 42.11; 142.7). Devido ao apego emocional e sentimental que temos por nossos familiares e por aqueles que nos cercam, as perdas de ordem afetiva trazem pavor e sofrimento ao nosso coração. Por isso, ficamos sem direção e mostramo-nos inconformados. É nessa hora que a nossa saúde psíquica é comprometida, podendo, inclusive, comprometer-nos a vida espiritual e social (1 Rs 19.9,10). Por isso, não podemos nos esquecer do socorro divino. Sem Ele, desmoronamo-nos.

3. De ordem espiritual. Uma vez que a saúde emocional está comprometida, a crise espiritual rapidamente se instaura. O crente desenvolve um sentimento de inércia para buscar a Deus. Ele não vê fundamento algum para viver, e acaba desejando a própria morte (1 Rs 19.4). Não podemos ignorar a seriedade do assunto. Se as perdas existenciais na vida do cristão não forem tratadas bíblica e equilibradamente, certamente haverá consequências graves. Assim, um bom começo para superarmos as perdas e angústias é lançar sobre o Senhor todas as nossas ansiedades, por que Ele tem cuidado de nós (1 Pe 5.7,9).

SINOPSE DO TÓPICO (II)

O bom caminho para superarmos as perdas de ordem material, afetiva e espiritual é lançar sobre o Senhor todas as ansiedades, pois Ele cuida de nós.

III. MESMO NA PERDA PODEMOS DESFRUTAR O AMOR DE DEUS

1. Sua graça. O coro do hino 205 da Harpa Cristã é bem significativo: “Graça, graça/ A mim basta a graça de Deus: Jesus/ Graça, graça/ A graça eu achei em Jesus”. Num momento de grande angústia, Paulo clamou ao Senhor, rogando-lhe que lhe removesse um espinho que o incomodava intensamente. Jesus, porém, limitou-se a responder-lhe: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9).

O apóstolo, então, passa a entender que a sua força está na fraqueza, pois o poder de Cristo aperfeiçoa-se justamente em nossas debilidades. A graça de Deus é insondável, infinita e incomensurável! Essa graça resgatou-nos. E de tão completa, ela nos basta por si mesma.

2. Seu amor. A graça de Deus é fruto do seu amor por nós. Sua graça é real na vida de todos os que recebem a Cristo como o seu Salvador. O Pai conhece a dimensão do nosso sofrimento e importa-se com cada um de nós. A maior prova disso está no fato de que Ele ofereceu o seu Único Filho para morrer em nosso lugar (Jo 3.16). Sim, Ele entregou seu precioso Filho por amor a nós. Seja qual for a sua perda, sinta-se amado por Deus. Esse amor é poderoso para preencher todo o vazio e solidão que nos ameaça destruir. Como o apóstolo do amor, podemos dizer: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19).

3. Deus intervém na história. Servimos a um Deus que, em graça e amor inefáveis, intervém na história humana. Ele interveio na tragédia existencial de Jó. Depois de um longo período de perdas, angústias, dores e sofrimentos indescritíveis, o patriarca foi miraculosamente restaurado, enquanto orava por seus amigos (Jó 42.10a). Não desista da sua existência! Busque a Deus em oração. Ele não tarda em socorrer-nos. Como Deus interveio na vida de Jó, fazendo com que o seu último estado fosse melhor que o primeiro, Ele também entrará com providência em sua história. Ele não se esqueceu de você.

SINOPSE DO TÓPICO (III)

Ainda que percamos os mais preciosos bens, podemos desfrutar da graça e do amor de Deus. Ele intervém em nossa história!

CONCLUSÃO

Podemos perder tudo nessa vida — casa, dinheiro, emprego, excelentes oportunidades, relacionamentos, pai, mãe, filho, filha, esposo, esposa e, até mesmo, a própria saúde. Mas, apesar de todos os infortúnios, continuamos a crer no Evangelho de Cristo, pois Ele é o nosso baluarte e fortaleza. Nele, as perdas redundam em ganhos eternos, conforme afirma o profeta Habacuque: “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. Jeová, o Senhor, é minha força” (Hc 3.17-19a). Alegre-se, pois, em Deus e caminhe sem temor!

VOCABULÁRIO

Celeuma: Agitação barulhenta; alvoroço, tumulto.
Funestas: Fatais, mortais, desventuras, desgraças.
Peremptória: Definitiva, terminante.
Preterido: Desprezado, rejeitado.
Sinistros: Acidentes, desastres.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

PEARCEY, N. Verdade Absoluta: Libertando o Cristianismo de seu cativeiro cultural. 1.ed., RJ: CPAD, 2006.
RHODES, R. Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom? 1.ed., RJ: CPAD, 2010.

EXERCÍCIOS

1. Como a Bíblia descreve Jó?
R. A Bíblia descreve Jó como um homem íntegro e que cultivava uma vida de profundo temor a Deus.

2. Qual foi a reação de Jó ao saber da perda dos bens, dos funcionários e dos seus filhos?
R. Foi a de rasgar o manto, rapar a cabeça e sofrer a angústia natural de um pai que acabara de perder todos os filhos; do patrão que ficara sem os funcionários e do homem reduzido à extrema pobreza.

3. Contrariando toda a lógica humana, qual foi o ato de Jó, em relação a Deus, diante das calamidades?
R. Prostrar-se e adorar a Deus.

4. Por que alguns cristãos têm dificuldades de confiar em Deus nos momentos de perdas significativas?
R. Por intermédio de uma vida imediatista — querer tudo para o aqui e o agora, não admitindo derrotas ou subtrações, pois “somos feitos para vencer”.

5. Graça, amor e intervenção divina na história. O que isso significa para você?
R. Resposta pessoal.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Teológico

“O sofrimento humano

O sofrimento do ser humano não é novidade. Ele parece ser uma realidade sempre presente na raça humana. Em Jó 5.7 registra-se o seguinte: ‘Mas o homem nasce para o trabalho, como as faíscas das brasas se levantam para voar’. Em Jó 14.1 afirma-se: ‘O homem, nascido da mulher, é de bem poucos dias e cheio de inquietação’.

Há muito tempo, coisas têm acontecido a pessoas boas, até mesmo com as pessoas de Deus dos tempos bíblicos. Quem pode esquecer o horrível sofrimento de Jó (ele perdeu a família e suas posses)? Davi, que estava para se tornar rei de Israel , por anos a fio, foi caçado e perseguido pelo ciumento e furioso Saul (1 Sm 20.33; 21.10; 23.8). A esposa de Oséias foi infiel (Os 1.2; 2.2,4). José foi tratado de maneira cruel por seus irmãos e vendido como escravo (Gn 37.27,28). João Batista, a mando da enteada de Herodes, foi decapitado (Mt 14.6-10). Paulo, inúmeras vezes, foi jogado na prisão, sofreu naufrágio, foi açoitado e deixado quase morto e muito mais (2 Co 11.25).

Às vezes, os cristãos chegam a pensar que quem obedece a Deus e procura ser um bom cristão não passará por sofrimentos horríveis. Entretanto, se coisas ruins aconteceram com Jó, João Batista e o apóstolo Paulo, com certeza elas podem acontecer com os bons cristãos” (RHODES, R. Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom? 1.ed., RJ: CPAD, 2010, pp.15,16).

EXPOCRISTÃ


Fonte: Estudantes da Bíblia

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Lição 9 — A ANGÚSTIA DAS DÍVIDAS


Lições Bíblicas CPAD
Jovens e Adultos

3º Trimestre de 2012

Título: Vencendo as aflições da vida — Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas

Comentarista: Eliezer de Lira e Silva

Lição 9: A angústia das dívidas

Data: 26 de Agosto de 2012


TEXTO ÁUREO

“Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! Pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás, e te irá bem” (Sl 128.1,2).

VERDADE PRÁTICA

Para ter uma vida financeira equilibrada e bem-sucedida, o crente deve administrar seus recursos com sabedoria, prudência e comedimento.

HINOS SUGERIDOS

77, 79, 579.

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Is 55.2

A repreensão por causa do desperdício

Terça - Pv 3.9

Honrando a Deus com os haveres

Quarta - Lc 3.14

Contentando-se com o salário

Quinta - Pv 1.19

A cobiça aprisiona a alma

Sexta - Rm 13.8

Não contraia dívidas

Sábado - Pv 11.15

Fugindo da fiança e das dívidas

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Timóteo 6.7-12.

7 - Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele.

8 - Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.

9 - Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.

10 - Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

11 - Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.

12 - Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.

INTERAÇÃO

Professor, você tem suas finanças sobre controle? Deus deseja abençoar-nos, mas precisamos agir com sabedoria e sermos íntegros financeiramente. O crente precisa ser disciplinado na administração das suas finanças a fim de honrar os seus compromissos. O ato de comprar parece simples e prazeroso, mas não é. Exige planejamento e reflexão, jamais podemos comprar por impulso, sem pensar no quanto estamos gastando. Quem compra por impulso e não segue um planejamento, cedo ou tarde acabará tendo problemas financeiros.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

    Compreender quem é o dono do nosso dinheiro.
    Discutir a respeito dos efeitos maléficos do consumismo e das dívidas.
    Saber que é possível livrar-se das dívidas com sabedoria e planejamento.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Providencie cópias da tabela abaixo para os alunos. Inicie a lição fazendo as seguintes indagações: “Você faz um planejamento mensal dos seus gastos?”; “Costuma anotar em um caderno todas as suas despesas?”. Ouça com atenção os alunos e explique que infelizmente muitos não têm o hábito de seguir um orçamento. Enfatize o fato de que precisamos tomar nota de todos os nossos gastos a fim de que não venhamos estourar nosso orçamento. Distribua a tabela e conclua incentivando os alunos a utilizarem um modelo de orçamento para contabilizar seus gastos. Diga que Deus deseja nos abençoar, porém temos que administrar nossos recursos com sabedoria.

COMENTÁRIO

introdução

Palavra Chave

Dívida: Quantia que se tem de pagar.

Vivemos numa sociedade extremamente consumista. Por isso, há tantas pessoas, até mesmo crentes, “atoladas na areia movediça das dívidas”. Elas se esforçam para colocar a sua vida financeira em ordem, porém já não sabem como fazê-lo e por onde começar. Na lição de hoje, veremos que precisamos utilizar nosso salário com sabedoria, a fim de honrarmos nossos compromissos, e glorificar ao Senhor em todas as áreas de nossa vida.

I. QUEM É O DONO DO NOSSO DINHEIRO

1. Dê a Deus o que lhe pertence. A décima parte do nosso salário não nos pertence, pois é do Senhor. Há crentes que fazem tanta dívida que acaba comprometendo a porção do Senhor. Para que isso não venha a acontecer, priorize o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33). Seja fiel na entrega dos dízimos e ofertas. Faça uso do seu dinheiro com sabedoria. E, assim, você verá a bênção do Senhor sobre as suas finanças (Ml 3.10,11). Todavia, de nada adianta ser dizimista e, depois, sair por aí comprando tudo o que se vê pela frente, arruinando irresponsavelmente o orçamento doméstico. É preciso ser responsável com o nosso salário.

2. Disciplina e orçamento financeiro. Você deseja ser bem-sucedido financeiramente? Então seja disciplinado. Não gaste mais do que ganha. Não seja irresponsável. Há crentes que comprometem todo o seu dinheiro em coisas supérfulas. A Palavra de Deus nos adverte quanto a isto: “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer?” (Is 55.2). Isso não significa que você não possa vestir-se bem ou adquirir bens materiais. O que o texto bíblico requer é que façamos bom uso do nosso dinheiro, não desperdiçando-o com supérfulos.

O ideal é que cada família elabore o seu orçamento. Que o casal saiba exatamente o que pode e o que não pode gastar. Anote todas as despesas mensais (impostos, contas de consumo, alimentação, colégio dos filhos, combustível etc). Mesmo que o seu ordenado não seja dos melhores, tome nota de tudo, e não deixe de fazer o seu orçamento (Lc 14.28-30).

3. Cuidado com a cobiça. A cobiça de Acã trouxe-lhe completa destruição (Js 7.1-26). Até mesmo Israel foi prejudicado, pois perdeu uma importante batalha. A cobiça, ou seja, o desejo descontrolado de adquirir bens materiais tem levado alguns crentes a serem incluídos no rol dos serviços de proteção ao crédito. Atraídos pelo desejo de consumir insaciavelmente, compram e depois não podem pagar, perdendo toda a credibilidade e, ainda, recebendo a fama de mau pagador. A Palavra de Deus condena a ambição e a cobiça, pois elas são perigosas e fatais (Ec 6.7; Pv 27.20). O crente não deve permitir que nada o domine. Aliás, o domínio próprio também é fruto do Espírito Santo (Gl 5.22).

SINOPSE DO TÓPICO (I)

Como servos de Deus precisamos ser fiéis na entrega dos dízimos e ofertas, fazendo uso do nosso dinheiro com sabedoria.

II. O CONSUMISMO E AS DÍVIDAS

1. Os males do consumo inconsciente. Todos estamos sujeitos a experimentar privações e também abundância. Não existe nenhum mal em desejar e adquirir bens com o resultado do nosso trabalho. Todavia, precisamos aprender a estar satisfeitos em toda e qualquer situação (Fp 4.11-13). Isso significa não ceder aos apelos da mídia nem se deixar dominar pelo consumismo. Há muita gente que adquire o que não precisa só pelo prazer de comprar e, depois, joga-o fora. Deus não se agrada de desperdício (Êx 36.3-7). Na multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus mandou que os discípulos recolhessem os pedaços para que nada se perdesse (Jo 6.12). Algumas vezes, contraímos dívidas porque agimos de forma compulsória e insensata (Is 55.2; Lc 15.13,14).

2. Adquirir o que se pode pagar. Somente o insensato compra o que não pode pagar (Pv 21.20). Portanto, aja com sabedoria e cautela; poupe e fuja das dívidas. Antes de adquirir algum bem, faça as contas, pesquise. Cuidado com as liquidações que, às vezes, não passam de armadilhas para atrair os incautos. Se for comprar a prazo, informe-se primeiro a respeito das taxas de juros. Os economistas advertem: “Crédito imediato é também dívida imediata!”.

3. Aja com integridade, fuja da corrupção. Certa vez, João Batista exortou os soldados a se contentarem com seus soldos e que não aceitassem suborno (Lc 3.14). Contentar-se com o salário não significa acomodar-se e deixar de progredir profissionalmente. A mensagem do Batista visava alertá-los a respeito do perigo da cobiça e de práticas ilícitas e corruptas. Deus é santo e requer santidade de nós em todas as áreas.

SINOPSE DO TÓPICO (II)

Comprar mais do que se pode pagar, comprometendo as finanças, é tolice.

III. É POSSÍVEL LIVRAR-SE DAS DÍVIDAS

1. Cuidado com seu cartão de crédito e com o cheque especial. Os juros cobrados pelas administradoras de cartões de créditos costumam ser bem elevados e, às vezes, abusivos. As taxas bancárias para o uso do cheque especial também são altas. Às vezes, paga-se o dobro, ou o triplo, em relação ao bem adquirido. Por isso, tanto o cartão como o cheque especial devem ser utilizados com muita sabedoria, planejamento e cautela. Tais expedientes podem tornar-se uma “arma” letal, pronta a disparar a qualquer momento contra você. Não seja levado, ou guiado, por impulsos, pois Deus já nos concedeu um espírito de moderação e autocontrole: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação” (2 Tm 1.7).

2. Vivendo de modo simples, porém tranquilo e santo. Os que amam o dinheiro acabam caindo em várias tentações, concupiscências e dívidas. Por isso, atendemos à admoestação apostólica:

“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (1 Tm 6.9). Ter dinheiro não é errado. Não podemos, porém, amá-lo e nele colocar a nossa confiança (1 Tm 6.10,17-19).

3. Confie em Deus. Há crentes que se acham numa situação financeira difícil, não porque se deixaram levar pelo consumismo, mas por haverem perdido o emprego ou ficado enfermos. E, justamente, por isso, não puderam honrar seus compromissos. Seja qual for a situação em que você se encontre, ore e confie em Deus. Ele é fiel! Deus é o nosso socorro: “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 121.2). Deus está vendo a sua aflição, não desanime, pois o socorro vem do Senhor (Gn 21.14-21).

SINOPSE DO TÓPICO (III)

Com a ajuda de Deus, oração e sabedoria, podemos nos livrar das dívidas.

CONCLUSÃO

Deus deseja abençoar-nos, mas precisamos agir com sabedoria e sermos íntegros financeiramente. Devemos administrar nossas finanças de tal maneira que possamos pagar todas as nossas contas em dia. Comprar sem planejamento e por impulso só geram problemas financeiros. Seja sábio e administre seu dinheiro como um bom despenseiro de Deus.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

BARNHILL, J. A. Antes que as Dívidas nos Separem: Respostas e cura para os conflitos financeiros em seu casamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2003.
Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais. 3.ed., RJ: CPAD, 2005.

EXERCÍCIOS

1. Em relação à porção do Senhor, o que não nos pertence?

R. A décima parte do nosso salário.

2. Segundo a lição, o que é preciso fazer para ser bem-sucedido financeiramente?

R. É preciso ter disciplina e orçamento financeiro.

3. O que devemos fazer antes da adquirir algum bem?

R. Fazer as contas e pesquisar preço.

4. O que Paulo ensina sobre as riquezas?

R. Ele ensina que “os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (1 Tm 6.9).

5. Você crê que com planejamento, responsabilidade, oração e confiança no Senhor suas crises financeiras podem ser controladas?

R. Resposta pessoal.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Vida Cristã

“Tratar do Crédito com Cuidado

As intermináveis pressões de ‘mês mais comprido que o dinheiro’ é o bastante para separar famílias. Mas, em alguns casos, ter mais dinheiro não é solução. Devemos começar a administrar corretamente o que temos. O marido e a esposa têm de trabalhar juntos (e haverá o tempo e o lugar para envolver os filhos). Olhe além dos pagamentos mensais. Faça uma imagem mental de toda a dívida em destaque. Damos graças a Deus porque uma taxa de crédito nos permitirá tomar dinheiro emprestado, mas não nos enganemos: os juros serão altos. Cartões de crédito têm sido a ruína de muitos lares. Melhor deixar de comprar a crédito, a menos que tenha disciplina e limite. Abandone o uso de cartões de crédito, se você sabe que não haverá dinheiro para pagar. Pague suas contas no vencimento. Quando os pagamentos não puderem ser efetuados, comunique ao credor.

Deixar de dizimar é retirar-se da terra da bênção. Deus não honrará a má administração. Precisamos ser mordomos fiéis. Devemos honrar ao Senhor com as nossas riquezas (Pv 3.9,10). As riquezas são mais que o dízimo. O dízimo pertence a Deus. Somos chamados a honrar a Deus com a parte que nos resta depois de dizimar” (Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais. 3.ed., RJ: CPAD, 2005. p.146).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Vida Cristã

“Evitando dívidas fora do seu alcance

Muitos têm ficado em situação difícil, por causa do uso irracional do cartão de crédito (na verdade, cartão de débito). As dívidas podem provocar muitos males, tais como falta de tranquilidade (causando doenças); desavenças no lar; perda da autoridade e independência. Devemos lembrar: ‘O rico domina sobre os pobres, e o que toma emprestado é servo do que empresta’ (Pv 22.7). Outro problema é o mau testemunho perante os ímpios, quando o crente compra e não paga.

Evitando os extremos

De um lado, há os avarentos, que se apegam demasiadamente à poupança, em detrimento do bem-estar dos familiares. São os ‘pães-duros’. Estes preferem ver os filhos sob um padrão baixo de conforto, não adquirindo os bens necessários, somente com o desejo de ‘poupar’, de entesourar para o futuro.

De outro lado, há os que gastam tudo o que ganham, e compram o que não podem, às vezes para satisfazer o exibicionismo, a inveja de outros, ou por mera vaidade. Isso é obra do Diabo” (LIMA, E. R. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. 1.ed., RJ: CPAD, 2002. p.172).

Lição 09 - Jesus, o advogado fiel - Revista Betel


Lição 09

26 de Agosto de 2012

Jesus, o advogado fiel

Texto Áureo

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo”. 1 Jo 2.1

Verdade Aplicada

A história da mulher pecadora é uma história que condena a história de juízos temerários.

Objetivos da Lição

►      Esclarecer que todo o minis­tério educador e evangelístico lidará com questões sociais difíceis de resolver-se;
►      Mostrar que é nossa missão não pronunciar juízo de valor sobre as pessoas, mas erguê-las de sua situação pecaminosa;
►      Não é apenas importante a pessoa escapar das consequências de seus erros, é necessário frisar que elas precisam abando­nar definitivamente o pecado.

Textos de Referência

Jo 8.1        Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras.
Jo 8.2        E, pela manhã cedo, voltou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava.
Jo 8.3        E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério.
Jo 8.4        E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mu­lher foi apanhada, no próprio ato, adulterando,
Jo 8.5        e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam ape­drejadas. Tu, pois, que dizes?


Jesus e a mulher adúltera Jo 7:53-8:11.

Jesus e a mulher apanhada em flagrante adultério. Esta passagem encerra uma das mais notáveis variantes textuais de todo o N.T., especialmente em face do fato que concerne uma narrativa ou seção inteira e não meramente um versículo ou parte de um versículo, como usualmente sucede. As evidências dadas pelos manuscritos e por outros meios, contra e a favor da autenticidade desta parte, são as seguintes:

Esta seção é retida nos mss DFGHKU, Gamma e muitos manuscritos cursivos de origem posterior, sendo seguidos pelas traduções AC, F, KJ, PH e M, sem qualquer sinal de dúvida quanto à sua autenticidade. Já os mss EMS, Lambda e Fam Pi assinalam a passagem como de autenticidade duvidosa. Os mss P(66), P(75), Aleph, BL NTWX, Delta, Theta, Psi, 33, 157, 892, 1241 e Fam 1424, além das versões Si, Sah, algumas versões Boh, a versão Arm e a Gót, além dos pais da igreja Clemente, Irineu, Origenes, Tertuliano, Cipriano e Nonato, omitem o trecho em sua inteireza. E todas as traduções, usadas para efeito de comparação neste comentário (catorze ao todo), excetuando aquelas nove traduções alistadas acima, põem esta seção entre colchetes, ou então, mediante uma nota de rodapé, mostram que a passagem é de autenticidade duvidosa.

Em outros manuscritos, esta narrativa aparece em lugares diferentes do que vemos aqui. A Fam 13 coloca-a depois do trecho de Lc 21:38. A Fam L põe-na no final do evangelho de João. O ms 225 situa-a após Jo 7:36. Tudo isso serve para mostrar-nos que a localização exata deste relato não teve lugar definitivo durante muitos séculos.

Essa narrativa, outrossim, não faz parte de qualquer manuscrito grego, senão já no século V de nossa era, com o códex D. Nenhum dos pais da igreja se refere ao episódio durante os primeiros onze séculos depois de Cristo. A evidência textual avassaladora (incluindo o testemunho de todos os papiros que possuímos deste quarto evangelho, que são os representantes mais antigos de que dispomos do evangelho de João), bem como o testemunho dos pais da igreja cristã, e que essa narrativa não passa de um exemplar de tradição flutuante, que subsequentemente foi aninhada em diversos lugares, dentro dos evangelhos. Os manuscritos posteriores, que contêm essa história, por sua vez, dão bom número de variedades sobre a narrativa.

Alguns eruditos acreditam que embora a história não faça parte original do registro dos evangelhos, não obstante é um incidente autêntico da vida de Jesus Cristo, tendo sido preservado no conhecimento de alguns segmentos da igreja cristã, até que finalmente escribas posteriores encaixaram-na em um dos evangelhos - Lucas ou João. Se essa crença expressa a verdade, então essa narrativa seria uma daquelas muitas outras coisas que Jesus disse e fez, mas que não foram originalmente registradas no evangelho de João. (Ver Jo 21:25). Seria extremamente difícil a alguém provar se essa narrativa tem ou não bases históricas na vida terrena de Cristo, embora ela respire o hálito do Espírito de Cristo.

«A seção que se segue (João 7:53-8:11) é uma das mais notáveis ocorrências de uma indubitável adição ao texto original das narrativas dos evangelhos. Encontraremos razões para crer que ela pertence à época apostólica, e que preservou para nós o registro de um incidente na vida de nosso Senhor, embora não tenha chegado até nós através da pena do apóstolo João». (Ellicott, in loc.).

PORÉM, embora esta seção não faça parte dos evangelhos originais, podemos estar gratos pela sua preservação, porquanto ilustra admiravelmente bem diversas coisas que precisamos compreender. Vemos nela o espirito empedernido dos fariseus para com uma miserável criatura humana, apanhada em um ato de pecado; vemos a brutalidade deles, ao arrastarem-na até diante de Jesus; vemos a total ausência de misericórdia da parte deles, e o seu pretencioso orgulho; vemos a sutileza com a qual pretendiam apanhar Jesus em uma armadilha, se porventura ele viesse a declarar algo que pudesse ser usado contra ele mesmo, porquanto sabiam que de algum modo Jesus haveria de querer salvar a mulher da morte por apedrejamento. Observamos todas essas características nos indivíduos que se deixam dominar por preconceitos religiosos e disso tudo podemos aprender uma preciosa lição.

Assim preferimos ser semelhantes ao Senhor Jesus, que demonstrou compaixão, que não se exaltou altivamente, mas que mostrou simpatia para com uma criatura humana em grande aperto, uma escrava das paixões humanas. Da parte de Jesus aprendemos, por semelhante modo, que a lei deve ser interpretada espiritualmente, porquanto para Jesus importava muito mais que a mulher se arrependesse e fosse espiritualmente restaurada do que fosse cumprida a austera tradição transmitida por Moisés, que requeria a morte cruel por apedrejamento.

Ora, esse princípio podemos aplicar a todos os aspectos da lei, porque a própria lei não tinha por intenção destruir, e, sim, apontar para o homem a grande necessidade de redenção, o que deve basear-se em princípios mais elevados do que a mera atitude de vingança. O próprio Jesus consubstanciou esse espírito mais elevado em sua vida e novamente demonstrou o grande valor de uma alma, à vista de Deus.

É realmente de estranhar que esta narrativa raramente tenha sido considerada como fonte orientadora de julgamento e ação, nos casos de disciplina eclesiástica. Quão frequentemente se ouve falar de histórias em que algum membro de uma igreja evangélica qualquer, errado em suas ações, mas agora impotente, tenha sido tratado como os fariseus trataram da mulher desta história, tendo sido expulso da igreja, alienado para sempre dos seus membros; e quão raramente alguém, com a mesma atitude de Jesus, se tem adiantado, não em apoio a tal atitude, mas a fim de inserir no julgamento a suave medida da misericórdia, tão necessária em tantos casos dessa natureza. Quão raramente alguém, dotado da mesma atitude do Senhor Jesus, se tem apresentado, a fim de restaurar, mediante meios inteligentes, ao invés de procurar destruir aos outros, mediante princípios supostamente justos, mas que só se alicerçam nos preconceitos humanos inflexíveis.

A evidência em prol da origem não-joanina da perícope sobre a adúltera é esmagadora. Está ausente de manuscritos antigos e diversos como p6675 KBLNTWXYΔψ 053 0141 0211 22 33 124 157 209 565 788 828 1230 1241 1242 1253 2193al. Os códices A e C são defeituosos nesse ponto, mas é altamente provável que nenhum deles contivesse a perícope, pois uma medição cuidadosa mostra que não sobraria espaço suficiente, nas folhas perdidas, para incluir a seção, juntamente com o resto do texto. No Oriente, a passagem está ausente da forma mais antiga da versão siríaca (sir (c,s) e os melhores manuscritos do sir (p)), bem como das versões saldica e subacmímica e dos mais antigos manuscritos boáricos. Alguns manuscritos armênios (2) e a antiga versão geórgica (3) a omitem. No Ocidente, o trecho está ausente da versão gótica e de diversos manuscritos em Latim Antigo (it (a,l*), q). Nenhum pai da igreja grega, antes de Eutímio Zigabeno (século XII D.C.) comenta sobre a passagem; e Eutímio declara que as cópias exatas do evangelho não a contêm.

Quando alguém adiciona a essa impressionante e diversificada lista de evidência externa a consideração que o estilo e o vocabulário da perícope difere notavelmente do resto do quarto evangelho (ver qualquer comentário crítico), e que interrompe a sequência de 7:52 e 8:12 ss., o caso contra a autoria joanina dessa perícope parece conclusivo.

Ao mesmo tempo, a narrativa tem todos os sinais de ser historicamente veraz. Obviamente é uma peça da Tradição oral que circulava em certas porções da igreja ocidental, e que, subsequentemente, foi incorporada em vários manuscritos, em diversos lugares. A maioria dos copistas evidentemente pensou que interromperia menos a narrativa de João se fosse inserida após 7:52 (D E (F) G H K M U T II 28 700 892 al). Outros situaram-na após 7:36 (ms 225), ou após 7:44 (vários mss geórgicos) (4), ou após 21:25 (1 565 1076 1570 1582 ara (mss)), ou após Lc 21:38 (f (13)). Mui significativamente, em muitos dos testemunhos que contêm a passagem, ela é marcada com asteriscos e obeli, indicando que, embora escribas incluíssem a narrativa, tinham consciência de que lhe faltavam credenciais.

Algumas vezes é dito que a perícope foi deliberadamente retirada do quarto evangelho, porque podia ser entendida a narrativa como uma espécie de indulgência para com o adultério. Mas, à parte da ausência de qualquer instância, em qualquer lugar, de excisão escribal de alguma passagem tão extensa, devida a prudência moral, essa teoria «não consegue explicar porque os três versículos preliminares (7:53 - 8:1,2), tão importantes e que aparentemente descrevem o tempo e o lugar onde os discursos do capítulo oitavo foram proferidos, teriam sido omitidos juntamente com o resto» (Hort, Notes on Select Readings, págs. 86 s.).

Embora a comissão se tenha mostrado unânime de que a perícope não fazia parte original do quarto evangelho, em deferência à patente antiguidade da passagem, a maioria decidiu imprimi-la, dentro de colchetes duplos, em seu lugar tradicional, ou seja, após João 7:52.

Já que o trecho está ausente dos mais antigos e melhores manuscritos, que normalmente servem para identificar os tipos de texto, nem sempre é fácil tomar uma decisão entre formas alternativas. Seja como for, deve-se compreender que os níveis de certeza ({A}, {B}) estão dentro do arcabouço da decisão inicial relativa à passagem inteira.

7:53    E cada um foi para sua casa

8:1      Mas Jesus foi para o Monte das Oliveiras. (7:53 - 8:1)

Este é um daqueles casos, bastante numerosos, em que a divisão do texto sagrado por capítulos foi feita erroneamente, porquanto as duas declarações acima citadas se completam entre si, não devendo aparecer divididas em nossas Bíblias. Pela natureza dessas declarações, concluímos que alguma discussão entre Jesus e as autoridades religiosas, ou entre Jesus e o povo, antecedera esta narrativa, e que pouco depois cada qual partiu para sua própria moradia. Mas, fazendo contraste com seus opositores, Jesus se retirou para passar a noite ao ar livre. Supomos que o motivo de Cristo, pelo menos parcial, era que ele desejava entregar-se ao exercício da oração, o que provavelmente ocorreu no jardim do Getsêmani ou na aldeia de Betânia. Durante seu último período de residência em Jerusalém, esse método de passar a noite dedicado à oração parece ter sido uma regra fixa. (Ver Lc 21:27).

O monte das Oliveiras é uma pequena serra montanhosa, que incorpora quatro picos, o mais elevado dos quais fica a oitocentos e trinta metros acima do nível do mar, dando frente para Jerusalém e para o monte onde foi edificado o templo, para os lados do oriente, do outro lado do vale do Cedrom e do tanque de Siloé. Nos dias de Jesus, o monte das Oliveiras era um lugar onde havia bosques, rico em oliveiras; e essa circunstância é que lhe deu o nome. Porém, quando do cerco das tropas comandadas pelo general Tito, foi desnudado de todas as suas árvores. Um templo cristão foi erigido em seu sopé, para assinalar o local onde Jesus costumava andar para ter comunhão com Deus, embora não possamos ter certeza sobre a posição exata por ele escolhida no monte.

Nos tempos da antiga dispensação, o monte das Oliveiras foi palco das idolatrias de Salomão, sendo o lugar onde foram levantados altares a Quemos e Moloque, divindades celestiais pagãs, o que provavelmente fez com que um de seus picos recebesse o apodo de monte do Escândalo.

Muitas tradições têm sido associadas ao monte das Oliveiras, paralelamente a narrativas que evidentemente são lendárias. De acordo com uma dessas lendas, a pomba enviada da arca, por Noé, teria apanhado a folha de parreira do monte das Oliveiras. (Ver Gn 8:11; Gênesis Rabbah, XXX11I.6). Também era crido que quando o esplendor da presença de Deus (no hebraico, shekinah) partiu do templo de Jerusalém, devido ao pecado dos judeus, perdurou por três anos e meio sobre o monte das Oliveiras, aguardando que o povo se arrependesse.

Perto do sopé do monte das Oliveiras existem algumas oliveiras de idade impressionante, que alguns pensam terem sido vistas pelo próprio Jesus. Todavia, não se tem podido demonstrar que tais árvores sejam tão seculares a ponto de terem vivido desde os dias do Senhor Jesus à face da terra. Essa é a área do jardim do Getsêmani, ainda que o local exato não possa ser determinado com precisão. A meio caminho, colina acima, foi erguida a igreja de Dominus Flevit, assim denominada a fim de indicar as lágrimas de Jesus, quando ele se lamentava por Jerusalém; mas a mesma é de localização duvidosa. Diversas igrejas cristãs têm sido erigidas com o intuito de marcar o local da ascensão de Jesus; mas o evangelho de Lucas favorece a localidade de Betânia como a área da verdadeira cena da ascensão. Todos quantos visitam a Palestina ficam convencidos da futilidade de ponderar sobre reivindicações tão contraditórias, e consideram insolúveis esses problemas de localização.

A profecia bíblica revela-nos que Jesus Cristo fará dividir-se o monte das Oliveiras, em duas porções, quando puser seus pés sobre o mesmo, ao voltar gloriosamente a este mundo. (Ver Zc 14:4).

8:2      Pela manhã cedo voltou ao templo, e todo o povo vinha ter com ele; e Jesus, sentando-se, o ensinava.

Algumas traduções dizem «cedo pela manhã», mas a designação exata muito provavelmente é como diz na AA, «de madrugada».

«...o povo ia... e Jesus ensinava...» No original grego temos dois verbos no tempo imperfeito, o que indica ações contínuas. O povo ia e vinha; e Jesus, segundo era seu costume, procurava aproveitar a oportunidade para instruí-los, salientando novamente a grande importância do ministério de ensino, o que, mui infelizmente, na moderna igreja cristã, é tão fraco. Devemos lembrar que a própria Grande Comissão, segundo se acha registrada no trecho de Mt 28:19,20, frisa o ministério de ensino, porquanto a conversão dos homens, por si só, não é bastante. O grande plano do evangelho consiste em conduzir os homens à conformidade com a imagem de Cristo, e isso é efetuado através da influência gradual do Espirito Santo. Ora, essa influência é auxiliada pelo doutrinamento gradual dos remidos, mediante os preceitos das Escrituras. Aqueles que dão importância exclusivamente ao evangelismo, fariam bem em considerar esses fatos. De fato, a vida inteira é uma escola, e precisamos estar sempre atarefados, aprendendo e dando lições nessa escola, não imaginando jamais que tudo de quanto um crente precisa é de uma conversão instantânea, posto que a experiência cristã consiste em muito mais do que isso.

8:3      Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio.

Os empedernidos fariseus são vistos novamente aqui em ação. Trouxeram a mulher a Cristo, violentamente, e a desgraçam diante de todos quantos ouviam as instruções dadas por ele. Os fariseus sabiam muito da lei, pelo menos intelectualmente, conhecendo de memória todos os seus preceitos; mas desconheciam totalmente os seus princípios misericordiosos. Tinham pouco ou nenhum respeito pelos sentimentos alheios e davam ínfimo valor a uma alma. A força motivadora deles não era exatamente o zelo pela lei e, sim, certa sutileza com a qual embalavam a esperança de apanhar o Senhor Jesus em uma armadilha, ou em flagrante, fazendo a mulher ser executada, ou libertando-a contrariamente à lei de Moisés—em qualquer dessas alternativas, a atitude de Jesus seria usada como arma contra ele.

Que o adultério era pecado extremamente prevalente, nos dias de Jesus, é algo confirmado por diversos escritores rabínicos. A Mishnah Sota, cap. 9 e seção 15, diz: «Quando o Messias vier, ou na época do Filho de Davi, a imprudência se multiplicará, o trigo e o vinho encarecerão, o governo será de hereges e a sinagoga será transformada em um lupanar». Esses mesmos escritos com frequência falam da multiplicação prodigiosa de adultérios, o que obrigou Jochanan ben Zaccai e o sinédrio a descontinuarem o emprego das águas amargosas. Adam Clarke diz (in loc.) o seguinte: «Admite-se que o adultério se tornou excessivamente comum naquela época, tão comum que deixaram de pôr em vigor a lei contra o mesmo. As águas do ciúme não eram mais bebidas e os culpados, ou mesmo aqueles meramente suspeitos desse crime, se tornaram extremamente numerosos; os homens, que se tinham tornado pessoalmente culpados, não ousavam pôr suas mulheres à prova, porquanto se cria que essas águas já não surtiriam efeito contra as esposas, já que os seus esposos também se tinham tornado criminosos.

Diversas lendas circundam a identificação e a história subsequente dessa mulher apanhada em adultério. Dentre os anais dos judeus espanhóis chega-nos a informação de que o nome dela era Susana e que era esposa de certo Manasses, de Jerusalém. (Ver Selden. Uxor Heb. 1.3, c.11., pág. 377). Mas outras tradições asseveram que ela se tornou uma santa de Deus, na Espanha, até onde seguiu o apóstolo Tiago. Tais histórias, com toda a probabilidade, são lendárias.

8:4      disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.

A acusação de adultério só se tornava legal quando confirmada por pelo menos duas testemunhas (ver Dt 19:15), embora no caso de um marido que suspeitasse de sua mulher, fosse suficiente o seu testemunho. (Maimonides, Hilchot Eduth, cap. 5, seção 2).

Literalmente, o grego diz aqui «apanhada no ato de furto», com base nos vocábulos autos (ela mesma) e phor (ladrão). Isso se tornou uma expressão idiomática para ser apanhado em qualquer modalidade de crime, ainda que diversos comentários pensem que esse tipo de termo vem bem a calhar, posto que o adultério é reputado uma espécie de furto da propriedade de outrem; e a natureza agravada do adultério (um ato entre pessoas casadas), em contraste com a simples fornicação (em contraste com pessoas solteiras) é o fato que representa uma forma de desrespeito pela possessão alheia.

Alguns estudiosos supõem que a conexão desse incidente com a narrativa da festa dos Tabernáculos é autêntica, e que essa festa, sendo ocasião de intenso júbilo, quando muito vinho era consumido por grande número de pessoas, quando geralmente as pessoas perdiam certo controle ordinário, abandonando-se ao acaso, tenha sido a ocasião desse ato de adultério. Isso teria sido cometido em alguma das tendas, sem grandes precauções, e naturalmente correu o risco de ser descoberto a qualquer momento, pelas duas ou mais testemunhas necessárias para que houvesse a condenação.

8:5      Ora, Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

A lei referente ao adultério era realmente muito severa, porquanto, de acordo com as passagens de Lv 20:10 e Dt 22:22, nesse caso ambos os indivíduos envolvidos no caso deveriam ser condenados à morte. Ora, o trecho de Dt 22:23,24 especifica a morte por apedrejamento para o caso especial de adultério em que a mulher fosse virgem, comprometida com outro homem. É bem provável, no entanto, que em tempos posteriores a morte para os adúlteros consistia ordinariamente na execução por apedrejamento (ver Ez 16:40), a despeito das circunstâncias. Contudo, a literatura rabínica mostra que a morte por sufocação era igualmente empregada. (Ver Sanhedrin, fol. 51:2, e Mishnah San. cap. 10, seção 1). Também é verdade que ao ser mencionada a pena de morte, na literatura judaica, sem qualquer especificação acerca do método empregado na execução da mesma, que ordinariamente está em foco a morte por estrangulamento. Se alguma jovem, filha de um sacerdote, viesse a tornar-se prostituta, deveria ser queimada viva (ver Lv 21:9). E parece, à base do trecho de Ez 16:38,40, que as adúlteras, nos seus tempos, eram ou apedrejadas ou traspassadas com uma espada.

É quase desnecessário dizer que tais medidas foram inteiramente eliminadas nas sociedades modernas, provavelmente por motivo da influência suavizadora do cristianismo, o qual, apesar de continuar condenando qualquer ato pecaminoso, interessa-se muito mais pela restauração do indivíduo, o que se reflete por um respeito muito mais profundo e por um interesse muito maior pela pessoa, a despeito da presença de graves pecados. Jesus veio a fim de ser o Salvador da humanidade, e todos os homens, por uma razão ou por outra, são culpados diante do tribunal de Deus, e, na realidade, a maioria dos homens justamente por esse motivo de adultério.

8:6      Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo.

Não eram aqueles acusadores verdadeiros defensores da pureza da lei mosaica e, na realidade, pouco se importavam com o que sucedesse àquela pobre mulher. O que os impulsionava era o ódio que tinham votado em seus corações contra o Senhor Jesus, tendo resolvido que por qualquer meio que pudessem, haveriam de livrar-se dele, embora sempre se tivesse mostrado verdadeiramente puro, e contra quem nenhuma acusação verdadeira pudesse ser lançada. O fato é que Jesus tinha absorvido os aplausos que as multidões antes davam a ele, e agora ele era uma ameaça para o poder político e religioso que até ali vinham mantendo nas mãos, posto que ele ensinava aos homens uma doutrina pura, de maneira totalmente maravilhosa, a ponto de não poderem ficar na presença dele, entre os homens. Aquelas autoridades religiosas, portanto, traçaram planos elaborados para assassinarem a Jesus; e se agarravam agora à ocasião propiciada pelo caso da mulher apanhada em adultério, esperando que ele caísse em algum equívoco, a fim de que pudessem acusá-lo falsamente e levá-lo a juízo.

Mui provavelmente pretendiam assacar contra Jesus uma ou outra das seguintes duas acusações, dependendo da reação dele ante a sugestão que faziam de que a mulher fosse apedrejada: 1. Se ele ordenasse que o apedrejamento fosse executado, eles poderiam acusá-lo, ante as autoridades romanas, de incitar ilegalmente a outros de matarem a mulher; e isso seria uma acusação que os romanos levariam em conta, embora pouco lhes importasse como a mulher se comportasse sexualmente. 2. Se, por outro lado, ele não permitisse a morte da mulher, ele seria visto como alguém que dava licença a um crime hediondo, segundo a interpretação judaica, e assim ficaria desacreditado, primeiramente ante todas as autoridades, e, em segundo lugar (o que mais importava para aqueles acusadores) ante todo o povo. Não obstante, Jesus preferiu ignorar as indagações deles e baixou-se a fim de escrever. Diversas interpretações têm sido dadas a essa ação:

1. Jesus ignorou os acusadores, considerando-os por demais maliciosos para merecerem resposta.
2. Jesus teria agido assim por ter ficado embaraçado por causa da mulher.
3. Jesus agiu assim porque esperava que a pausa momentânea criasse nos homens alguma consciência, para que viessem a reconhecer a maldade de seus desígnios e intenções.
4. Jesus teria escrito acusações contra aqueles acusadores da mulher.
5. O próprio Jesus não afirmava ser intérprete da lei, à semelhança deles, não se encontrando na posição de ordenar qualquer forma de pena de morte; e por isso teria adiado a resposta à pergunta que faziam. Não obstante, as reivindicações de Jesus, de que ele era o Messias, segundo a opinião daqueles acusadores, sem dúvida o forçariam a fazer alguma espécie de pronunciamento, ainda que não estivessem realmente interessados em ouvir o que ele tinha a opinar, exceto como um meio para criarem um caso contra ele.
6. Alguns comentadores acreditam que há boas evidências que mostram que, no oriente, alguma forma de desinteresse, segundo Jesus exibiu aqui, tinha por intenção mostrar que ele rejeitava o ofício de juiz, que desejavam impor a ele.

Sabemos que aqueles homens forçaram sobre Jesus um caso injusto, calculado tão-somente a propiciar caminho para acusarem-no falsamente; em réplica, Jesus impôs a eles um solene silêncio. Pelo menos podem asseverar com segurança que esse silêncio foi uma espécie de protesto contra a ação que as autoridades religiosas estavam tecendo; mas nada podemos adiantar sobre o que Jesus teria escrito no chão. A sexta interpretação parece ser a mais próxima do que deve ter sido a intenção do Senhor Jesus.

Quesnel (in loc.), citado por Adam Clarke, diz: «Posto que Jesus Cristo jamais escreveu algo, exceto essa vez, em toda a sua vida, segundo sabemos pelas Escrituras Sagradas; posto que ele escreveu tão-somente no chão; posto que ele assim agiu tão-somente com a finalidade de livrar uma pecadora; posto que ele não teria escrito aquilo que eles já sabiam, que os homens aprendem disso jamais escreverem, senão quando isso for necessário ou útil, fazendo-o com humildade e modéstia, e norteados pelo princípio do amor. Quão imensamente Cristo difere dos homens! Ele escreveu os seus pensamentos divinos no pó, mas eles desejam que os seus pensamentos fiquem gravados no mármore ou gravados no bronze».

8:7      Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse-lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra.

Jesus se refere aqui ao princípio estabelecido no trecho de Dt 17:7, que estipula: «A mão das testemunhas será a primeira contra ele, para matá-lo; e depois a mão de todo o povo; assim eliminarás o mal do meio de ti». Esse princípio é elaborado na Mishnah (Sanhedrin 6:4), e, sendo parte bem conhecida da literatura rabínica, sem dúvida era estipulação conhecida por aqueles homens.

Porém, Jesus acrescentou a esse fato a exigência de que as testemunhas teriam de ser inocentes, deixando entendido que a culpa das testemunhas as desqualificava do direito de lançarem uma pedra sequer contra a mulher. Alguns estudiosos pensam, neste ponto, que tais acusadores também se tinham tornado culpados do mesmo pecado (ou de pecados pertencentes a essa mesma categoria), cometido numa ou noutra ocasião; mas acerca disso não podemos ter certeza alguma. Pelo menos a consciência deles reagiu o suficiente para que despertassem para os seus próprios pecados. Assim, imediatamente desistiram de suas perversas intenções, reconhecendo, nas palavras de Jesus, um poder espiritual e uma lógica que transcendia totalmente às rigorosas exigências da lei de Moisés. Poderíamos mesmo asseverar, por conseguinte, que Jesus proferiu aqui uma lei superior à lei mosaica e exerceu o efeito de tornar a lei mosaica sobre o adultério mais humana, o que tem sido alegremente seguido pela maioria das sociedades modernas. Em outras palavras, as aplicações misericordiosas das palavras de Jesus têm sido seguidas; e sabemos que a lei precisa incorporar em si mesma tanto a misericórdia como o bom senso, elementos esses que vão sendo paulatinamente injetados nos sistemas legais. Por isso é que os modernos sistemas legais vão sendo modificados, tornando-se mais razoáveis e menos rigorosos do que a lei de Moisés em suas exigências. Até mesmo na moderna sociedade judaica os rigores da lei de Moisés não vêm sendo brutalmente aplicados.

Podemos verificar, portanto, que dessa simples declaração de Jesus, a qual certamente é bem conhecida e largamente aplicada, tem vindo a lume uma lei mais humana, ao mesmo tempo mais realista e aplicável.

Ordinariamente, o método judaico de apedrejamento era levado a efeito pondo-se o culpado, meio despido e de mãos atadas atrás das costas, sobre um tablado a três ou quatro metros de altura. As testemunhas contra o culpado, em seguida, aplicavam-lhe violento empurrão, e assim, na própria queda, a vítima era morta. Ou então uma grande pedra era lançada contra o condenado, a fim de esmagá-lo. Essa maneira de proceder, no entanto, nem sempre era observada; seja como for, porém, conforme podemos facilmente perceber, havia grande brutalidade no ato; e a lei superior, ensinada por Jesus, em sua aplicação, removeu tão grande brutalidade.

Muita discussão tem girado em torno do sentido das palavras «...sem pecado...», neste caso: 1. Absolutamente impecável; 2. No que dizia respeito a pecados da mesma natureza que o pecado da mulher acusada; 3. No que dizia respeito a outros pecados, de igual ou quase igual gravidade. Nenhuma dessas três possibilidades é impossível, porquanto isso indicaria que nenhum homem pode ser sempre juiz das coisas e das pessoas. A segunda e a terceira possibilidades talvez contenham maiores elementos da verdade; mas é provável que Jesus simplesmente tenha aqui instituído uma lei superior, temperada com a misericórdia, embora, ao mesmo tempo, tenha fornecido indícios de que todos os homens são considerados culpados diante de Deus, e que, por isso mesmo, devem ter o cuidado de não se porem a julgar indevidamente a outros. Em outras palavras, o Senhor tê-los-ia ordenado a não julgarem à mulher, e, sim, a eles mesmos.

8:8      E, tornando a inclinar-te, escrevia na terra.

Assim ele teria dado tempo a que o princípio que acabara de expor criasse raízes nas consciências de seus ouvintes originais, para que se admirassem ante uma lei mais profunda e mais elevada, temperada com misericórdia, que requeria o autoexame prévio. A ação de Jesus, neste versículo, reiterava o seu protesto silencioso, não querendo ele ser juiz de causas 'injustas e' pretenciosas. «Havia uma lei escrita nos seus corações; mas por alguns momentos ele escrevia no chão, a fim de convencê-los». (Ellicott, in loc.). O códex U e alguns poucos outros manuscritos posteriores acrescentam a este versículo o seguinte: «...os pecados de cada um deles...», mas o acréscimo é meramente uma tentativa de explicar o que Jesus escreveu, e não pode ser reputado autêntico à versão original desta narrativa. (Quanto a outras explicações sobre o que teria sido indicado na escrita que Jesus fez no chão, ver as notas referentes ao vs. 6 acima).

8:9      Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé.

Tholuck (in loc.) diz: «É fato historicamente confirmado que, naquele tempo, muitos rabinos proeminentes viviam em adultério». Alguns deles, pois, talvez tenham temido que, quando Jesus se levantasse novamente, viesse a apresentar algum testemunho contra eles, que não desejavam que vi­esse a ser conhecido publicamente; assim sendo, quando Jesus se baixou pela segunda vez, a fim de escrever no chão, aproveitaram-se da oportunidade dada por sua aparente preocupação para poderem escapar. Se eram mesmo ou não culpados do pecado de adultério, não sabemos; mas isso não impediu que a consciência de cada um deles os acusasse de alguma maldade igualmente grave, o que, por algum tempo, deixou-os desassossegados na presença de Jesus, preferindo estarem em algum outro lugar.

«Foram-se - e que mais poderiam ter feito? Não queriam ficar ali parados, enquanto os olhos do povo contemplavam alternadamente suas pessoas e o dedo que se movia para lá e para cá sobre o chão! Retiraram-se, é verdade; mas observemos quão ordeiramente o fizeram... talvez se tivessem demorado por um pouco mais, já que ninguém se dispunha a retirar-se em primeiro lugar, para que não parecesse estar se traindo, reconhecendo ser o pior pecador de todo o grupo». (Philip Schaff, in loc., no Lange’s Commentary).

Diversas interpretações têm sido oferecidas para explicar por qual razão se foram retirando um por um, começando pelos mais velhos até os mais jovens, a saber:

1. Foi um artifício para evitarem qualquer suspeita, pois a retirada ordeira demonstraria certo desígnio, e a ordem da retirada não poderia indicar quem era o mais culpado ou o menos culpado, visto que dependia da idade de cada um.
2. Naturalmente, quando a retirada teve começo, os mais jovens devem ter cedido lugar aos mais idosos: «Não antes do senhor, doutor reverendo, rabino Eliezer, rabino Jehudi, etc.» ( Philip Schaff, in loc.).
3. Os mais idosos, naturalmente, lembravam-se de maior número de pecados, e essa maior carga na consciência tê-los-ia impelido a se retirarem primeiro. (Assim pensava Robertson, in loc.; mas as outras explicações são mais prováveis). Todavia, Alford adianta qualquer coisa semelhante a isso, ao observar, in loc.: «Como que para indicar a ordem natural de convicção de pecado...» Pelo menos fica evidente, nesta passagem, que as palavras «mais velho», neste caso, visa a idade e não a posição social de cada um, embora as duas coisas ordinariamente andassem de mãos dadas segundo a hierarquia religiosa dos judeus.

«Partem, e todo o povo os contemplava. Suas longas vestimentas e suas largas filactérias não pareciam mais tão imponentes como quando chegaram. Foram-se embora. O tribunal adiara a sessão. Houve um adiamento, mas não precisamente por causa do motivo pelo qual o tribunal fora convocado. Houve convicção, mas não da acusada, e, sim, de seus acusadores; e estes, meio convencidos de sua culpa, não ousavam olhar frontalmente no rosto do Juiz, o qual era capaz de traspassar-lhes a alma com seus olhos». (Philip Schaff, in loc., no Lange's Commentary).

8:11    Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus. Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.

Que o homem não pode condenar o homem é o pensamento básico envolvido nestas palavras, mas que o julgamento deve vir de um tribunal muito superior, e que a lei regulamentadora deve ser a divina. O mesmo tema pode ser visto nos trechos de Mt 7:1 e Rm 2:1, sendo essa, igualmente, uma das aplicações da passagem de Mt 5:28, que faz recuar o crime até os seus motivos íntimos, e não somente até ao ato exteriorizado. Essa consideração, mui naturalmente, confina dentro de certos limites os julgamentos passados pelos homens; porque aquele que não se tiver feito culpado de atos externos, pode, em todos os casos, ter-se tornado culpado do desejo íntimo de cometê-los, por muitas vezes.

Aprendamos estas lições:

1.           Não existe algo como a justiça crua, na maneira de Deus tratar com os homens.
2.           Como Messias que era, Jesus tinha o direito de exigir a execução daquela mulher.
3.           Mas preferiu ver o arrependimento a executar a justiça imediata. Portanto, agiu visando libertar à mulher, ao invés de levá-la à punição. Quão grande é a misericórdia divina!
4.           Jesus desaprovou qualquer solução violenta, e isso fê-lo distinguir-se da lei tão severa de Moisés. Sua lei era melhor que a de Moisés, e ele sabia disso.
5.           A brutalidade nada soluciona, e só satisfaz a indivíduos de baixo caráter espiritual. Jesus nunca daria qualquer satisfação aos acusadores da mulher.
6.           Grande demonstração de misericórdia pode fazer mais que alguma grande pedra lançada contra o tórax do culpado. Esta mata o corpo; aquela, salva a alma. Ver como Paulo ensina a esse respeito, em Rm 2:4.
7.           Aqueles que acusam aos «pecadores» são, eles mesmos, pecadores ainda piores. Dificilmente tem surgido alguém tão santo que tenha o direito de acusar a outrem. Esse alguém meramente terá sabido ocultar melhor os seus pecados, ou quiçá não tenha cometido os mesmos pecados que agora acusa noutros.

Jesus não condenou a mulher apanhada em flagrante adultério; e apesar de que não lemos neste episódio qualquer expressão de perdão de pecados, contudo, o perdão também fica subentendido na ordem baixada por Jesus para que ela não mais repetisse o seu pecado, o que nos permite ver que lhe foi dado um novo começo de vida. «Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele». (Jo 3:17). A condenação sobrevêm porque os homens preferem ignorar a Luz de Deus e permanecer nas trevas. Mas aquela mulher escapou da condenação porque não quis mais permanecer nas trevas.

A narrativa não está completa para nós, posto nada sabermos das ações tomadas pelos seus acusadores, em data posterior; e também nada sabemos a respeito dela, se ela veio a tornar-se ou não discípula de Cristo. Existem lendas que asseveram que o nome da mulher era Susana e que subsequentemente se tornou uma mulher santa, discípula do apóstolo Tiago. Mas não podemos confiar em lendas. «Não podemos acompanhar a história das vidas que só são conhecidas por elas mesmas e por Deus. Contudo, a lição aqui encerrada é clara, e permanece de pé, condenando todo o juízo precipitado de um homem contra o pecado de outrem; condenando todo pecado em nossas próprias vidas; e declarando a todo o pecador que o perdão de Deus não nos condena». (Ellicott, in loc.).

Esta parte, pois, encerra diversas lições para nosso aprendizado. A experiência humana ensina-nos a considerar a humanidade com mais simpatia do que demonstrávamos ter quando mais jovens; e sem dúvida alguma esta parte nos ensina o grande valor e a profunda necessidade de simpatia. Goethe expressa admiravelmente isso, quando diz: «É mister tão-somente que envelheçamos para nos tornarmos mais suaves em nossos julgamentos. Não vejo nenhuma falta cometida que eu mesmo não pudesse ter cometido». (Maxims and Reflections of Goethe, pág. 86).

O Senhor Jesus também deixou entendido, nessa história, que há grande dose de hipocrisia na questão do julgamento de outras pessoas e que dificilmente existem homens qualificados a julgar seus semelhantes. Acrescente-se a isso o fato de que enquanto aqueles homens se retiravam, envergonhados ante a sua própria consciência, embora evidentemente resolvidos a não se arrependerem, a mulher permaneceu firme; e que apesar dela certamente sentir-se envergonhada e talvez perplexa, não estava aterrorizada. A atitude demonstrada por Cristo para com ela dá-nos motivo para bases firmes de esperança. Jesus a livrou das consequências naturais do pecado que ela cometera; mas, dentro desse mesmo livramento, ele lhe outorgou outra oportunidade de tornar-se santa, de buscar retamente a Deus, em sua própria alma. Mediante o seu julgamento e a sua simpatia de bondade, ele depositou essa esperança em nossas próprias mãos.

"Se o mistério do perdão divino para conosco não cria em nós um novo horror pelo pecado, com o qual já estávamos acostumados, ou que talvez gostássemos imensamente de renunciar, conferindo-nos igualmente um novo poder de resistência à tentação, uma nova pureza de vida e de natureza, então é que o tremendo plano divino de salvação ainda não foi desvendado inteiramente para nós; e, nesse caso, nem mesmo a vontade de Deus em perdoar-nos pode salvar-nos de nossa condenação». (Arthur John Gossip, in loc.).

Bibliografia R. N. Champlin


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Lição 8: A rebeldia dos filhos


Lições Bíblicas CPAD
Jovens e Adultos

3º Trimestre de 2012

Título: Vencendo as aflições da vida — Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas
Comentarista: Eliezer de Lira e Silva

Lição 8: A rebeldia dos filhos
Data: 19 de Agosto de 2012

TEXTO ÁUREO

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6).

VERDADE PRÁTICA

Os pais que negligenciam a educação dos filhos, estão cometendo grave pecado diante de Deus.

HINOS SUGERIDOS

210, 273, 318.

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Sl 127.3
Filhos, herança do Senhor

Terça - Pv 23.13,14
A necessidade da disciplina

Quarta - Pv 29.17
Disciplina e obediência

Quinta - Ef 6.4
Disciplina e conselho

Sexta - 2 Tm 3.2
A desobediência como sinal do fim

Sábado - Êx 20.12
Obediência como fonte de vida

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Samuel 2.12-14,17,22-25.

12 - Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não conheciam o Senhor;
13 - Porquanto o costume daqueles sacerdotes com o povo era que, oferecendo alguém algum sacrifício, vinha o moço do sacerdote, estando-se cozendo a carne, com um garfo de três dentes em sua mão;
14 - e dava com ele, na caldeira, ou na panela, ou no caldeirão, ou na marmita; e tudo quanto o garfo tirava o sacerdote tomava para si; assim faziam a todo o Israel que ia ali a Siló.
17 - Era, pois, muito grande o pecado desses jovens perante o Senhor, porquanto os homens desprezavam a oferta do Senhor.
22 - Era, porém, Eli já muito velho e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel e de como se deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da congregação.
23 - E disse-lhes: Por que fazeis tais coisas? Porque ouço de todo este povo os vossos malefícios.
24 - Não, filhos meus, porque não é boa fama esta que ouço; fazeis transgredir o povo do Senhor.
25 - Pecando homem contra homem, os juízes o julgarão; pecando, porém, o homem contra o Senhor, quem rogará por ele? Mas não ouviram a voz de seu pai, porque o SENHOR os queria matar.

INTERAÇÃO

Professor, na lição de hoje enfocaremos a nobre missão que Deus concedeu aos pais de educar os filhos. Sabemos que muitos pais, devido o corre-corre da vida atual, estão delegando esta nobre missão a terceiros. Os resultados, os piores possíveis, podem ser visto em noticiários da tevê.
Estude a lição com afinco e prepare-se, da melhor forma possível, para tratar de um assunto tão proeminente como o de hoje.
É importante que os alunos compreendam o valor da disciplina na criação dos filhos, pois a disciplina conduz a criança ao caminho da obediência. Explique que os pais devem disciplinar seus filhos e educá-los de acordo com os princípios que Deus estabeleceu em sua Palavra. Não podemos jamais seguir os padrões deste mundo.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Compreender que a disciplina evita a rebeldia.
Discutir a respeito de alguns exemplos bíblicos de filhos que foram rebeldes.
Conscientizar-se de que mesmo diante da rebeldia de um filho os pais devem demonstrar um amor incondicional.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, para introduzir o primeiro tópico da lição, promova um debate em classe. Escreva no quadro de giz as seguintes questões: “Por que os pais devem disciplinar seus filhos?”; “Qual a importância da disciplina?”. O debate favorece a participação ativa dos alunos, tornando a aula mais dinâmica e interativa. Ouça os alunos com atenção e faça as considerações que achar necessárias.

COMENTÁRIO

introdução

Palavra Chave
Rebeldia: Na lição significa resistência e teimosia em obedecer aos pais.

Os filhos são presentes de Deus e herança do Senhor. Todavia, nunca foi tão difícil educar uma criança. Por isso, precisamos buscar a orientação e a sabedoria divina para que nossos filhos sejam pessoas de bem, servos do Senhor, obedientes e cumpridores dos seus deveres. Na lição de hoje, veremos o que os pais podem fazer quando os filhos tornam-se rebeldes e fazem escolhas erradas.

I. A DISCIPLINA EVITA A REBELDIA

1. O que é disciplina? Muitos pais ainda confundem disciplina com castigo. Disciplinar é dar limites e estabelecer parâmetros, não castigar. É preciso mostrar à criança que ela não pode fazer o que bem entende. O texto bíblico de Provérbios é um alerta para os pais: “Não retires a disciplina da criança” (Pv 23.13). Sim, a disciplina não pode ser retirada porque é imprescindível à formação moral de nossos filhos. Quando uma criança não recebe limites, certamente tornar-se-á um adulto inseguro, ansioso e com dificuldades para obedecer.
2. O porquê da disciplina. Não são poucos os pais que têm medo de disciplinar, pois acreditam que os filhos ficarão ressentidos, chegando até mesmo a odiá-los. Porém, a disciplina, quando administrada com sabedoria, faz com que a criança se sinta segura, aceita e amada. Não disciplinar é o mesmo que deixar de instruir, educar. Por isso, não tenha medo de estabelecer parâmetros, pois eles são uma segurança para o desenvolvimento dos seus filhos (Pv 29.15; Hb 12.8).
3. Os pais devem disciplinar. Muitos pais estão “terceirizando” a educação de seus filhos, ou seja, passando uma responsabilidade, que é sua, para terceiros. Eles esperam, com isso, que os avôs, as babás, ou os professores da Escola Dominical, disciplinem seus filhos e os eduquem. Esta responsabilidade é sua! Os avôs, por terem mais experiência, podem até ajudar com os seus conselhos, mas a responsabilidade final de educar é dos pais. Não seja negligente quanto à educação de seus filhos (Ef 6.4).

SINOPSE DO TÓPICO (I)

A disciplina é imprescindível à formação moral dos filhos.

II. FILHOS REBELDES

1. Filhos que não ouviram seus pais. Na Palavra de Deus, encontramos alguns casos de filhos que desrespeitaram seus pais. Tais exemplos, ainda que negativos, foram registrados para que venhamos a aprender com eles. Vejamos alguns casos de filhos que não ouviram os conselhos de seus pais:
a) Caim. Caim e Abel receberam o mesmo tipo de educação. Caim, porém, era tolo e mau; seu coração estava cheio de inveja, ciúme e ira (Gn 4.5). Deus o inquiriu dizendo: “Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti?” (Gn 4.7). Aprendemos com a triste história de Caim, que a rebeldia de um filho não significa que ele não tenha sido bem disciplinado ou corrigido. Às vezes os pais ensinam e corrigem seus filhos, estes, todavia, optam por tomar atitudes erradas.
b) Hofni e Fineias. Eli fora sacerdote e juiz. Ele julgou Israel durante quarenta anos e, ainda, preparou seu sucessor, Samuel. Contudo, não se saiu muito bem como pai; negligenciou a disciplina de seus filhos (1 Sm 2.27-30). A Bíblia declara que Hofni e Fineias eram filhos de Belial, ou seja, “filhos inúteis” (1 Sm 2.12). Eli sabia que os seus filhos não agiam corretamente, mas nada fez para corrigi-los de forma rigorosa (1 Sm 3.13).
Infelizmente, muitos pais também agem como Eli ao saberem dos erros dos seus filhos. Fingem que nada está acontecendo e preferem esconder suas falhas. As consequências foram trágicas para Eli, sua família e para toda a nação. Israel perdeu a batalha, e a arca da aliança, símbolo da presença de Deus, foi tomada pelos filisteus. Além disso, os dois filhos de Eli morreram no mesmo dia (1 Sm 4.11). Um filho rebelde envergonha seus pais, traz prejuízos para a família e até mesmo para a nação.
c) Absalão. Jovem bonito e forte, veio a matar o seu irmão, Amnom, por haver este estuprado sua irmã, Tamar (2 Sm 13.1-29). Não obstante, ele não era alguém que amava e clamava por justiça. Não respeitava ao seu pai e, durante quatro anos, conspirou contra ele, pois queria o reino a qualquer preço (2 Sm 15.6). Davi foi obrigado a fugir para não ter que matar o próprio filho (2 Sm 15.14). Quantos pais também não são obrigados a deixarem sua casa e seus pertences por amor aos seus filhos?
2. As consequências da rebeldia. A rebeldia de Absalão trouxe resultados terríveis para o reino, para sua família e para ele próprio. Rebeldia é pecado. Por isso, Deus determina que os filhos honrem aos seus pais: “Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor, teu Deus, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dá o Senhor, teu Deus” (Dt 5.16). Honrar é obedecer, respeitar. Absalão desonrou seu pai e o inevitável aconteceu. Morreu, ainda jovem, de maneira trágica (2 Sm 18.9-14).

SINOPSE DO TÓPICO (II)

Rebeldia é pecado, por isso Deus determina, em sua Palavra, que os filhos devem honrar os pais.

III. O QUE FAZER DIANTE DA REBELDIA DE UM FILHO

1. Não buscar culpados. Davi chorou muitíssimo a morte de seu filho (2 Sm 18.33). A dor da perda de um filho é algo terrível! Somente Deus, por intermédio do Espírito Santo, pode consolar o coração enlutado de um pai e de uma mãe. Se não bastasse, a dor de Davi era agravada pelo fato de saber que seu filho havia morrido em sua rebelião. Contudo, a despeito de sua dor, o rei não buscou um culpado. Ele não culpou a mãe do jovem, os amigos ou a sociedade. Às vezes, os pais esmeram-se por dar uma boa educação aos seus filhos; são piedosos e tementes ao Senhor, mas os filhos acabam seguindo o caminho da rebeldia, colhendo trágicas consequências.
2. Demonstrar um amor incondicional. Pais são para toda a vida, mesmo quando as coisas não dão certo e os filhos tomam decisões equivocadas. Mesmo que seu filho tenha trazido dor e decepção ao seu coração, só lhe resta uma saída: o perdão e o amor incondicional. Ore e busque a reconciliação; procure a ajuda de seu pastor. Quem sabe se, assim, você não terá o seu filho de volta? Não o trate como inimigo, antes reafirme o seu amor por ele (Lc 15.11-32). Mesmo que ele tenha se desviado por um tempo, certamente voltará. É difícil, mas procure ver a bondade e a fidelidade de Deus mesmo em meio à provação e à tristeza. Confie no Senhor!

SINOPSE DO TÓPICO (III)

Pais são para toda a vida, mesmo quando as coisas não dão certo e os filhos tomam decisões equivocadas.

CONCLUSÃO

Deus concedeu aos pais a nobre missão de educar os filhos. Educar é disciplinar, pois a disciplina conduz a criança ao caminho da obediência. Discipline seus filhos e eduque-os de acordo com os princípios que Deus estabeleceu em sua Palavra. Dessa forma, você verá as bênçãos divinas sobre a sua família e sobre os seus filhos e netos e, como Josué, poderá dizer: “Eu minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15).

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

HUDSON, K. Criando os Filhos no Caminho de Deus: Um guia bíblico para pais cristãos. 1.ed., RJ: CPAD, 1997.
GANGEL, K. O.; GANGEL, J. S. Aprenda a ser Pai com o Pai: Tornando-se o pai que Deus quer que você seja. 1.ed., RJ: CPAD, 2004.

EXERCÍCIOS

1. O que é disciplina?
R. Disciplinar é dar limites e estabelecer parâmetros, não castigar.

2. O que é não disciplinar?
R. Castigar fisicamente.

3. Cite alguns exemplos bíblicos de filhos que se rebelaram contra os seus pais.
R. Caim, Hofni, Fineias e Absalão.

4. Fale sobre as consequências advindas peia rebeldia de Absalão.
R. A morte prematura do jovem e a fuga do rei Davi.

5. O que você pode fazer diante da rebeldia do seu filho?
R. Não buscar culpados e demonstrar um amor incondicional.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Bibliológico

“Disciplina: Além da Punição
Ao ouvir a palavra disciplinar, qual o primeiro significado que lhe vem à mente? Muitos pensam rapidamente em imagens de espancamento, castigo de ficar em pé olhando para a parede ou privação das atividades favoritas. Na verdade, a definição correta, segundo o Dicionário Aurélio, é ‘fazer, obedecer ou ceder; acomodar, sujeitar e corrigir’. A palavra disciplinar vem do latim discipulus, de onde também provém a tão conhecida palavra discípulo. Que imagens a palavra discípulos traz à sua mente? Os 12 fiéis seguidores de Jesus, dedicados a seguir seu caminho e aprender com Ele? Perspectiva um tanto diferente da que pensamos para nossos filhos, não?
[...] A definição para disciplinar é ‘treinamento que desenvolve o autocontrole, caráter, bom comportamento e eficiência’. Não é o que realmente desejamos para nossos filhos, mesmo através da correção? Precisamos observar a disciplina em duas categorias principais. Primeiro, a disciplina que conferimos aos nossos filhos, a qual inclui exemplo, ensino e também a correção. Segundo, precisamos ajudar nossos filhos a desenvolver a autodisciplina” (HUDSON, K. Criando os Filhos no Caminho de Deus: Um guia bíblico para pais cristãos. 1.ed., RJ: CPAD, 1997. pp.265,267).

Fonte: Estudantes da Bíblia
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